Gestão Logística

Modais de transporte: conheça os principais

As rodovias e estradas são responsáveis por mais de 60% da distribuição de produtos em território brasileiro. Porém, apesar da expressividade, esta não é a única forma usada para transportar alimentos, remédios, vestuário e equipamentos tecnológicos. O país possui a forte presença de diversos modais de transporte, entre eles o ferroviário e aquaviário.

A seguir, você confere as particularidades de cada modal de transporte.

Modal rodoviário

Como o próprio nome indica, o modal rodoviário é feito através de rodovias e composto por carros, caminhões, motos e ônibus. Além do transporte de cargas, nas estradas ocorre o tráfego de 90% dos passageiros em território brasileiro, segundo estimativa do Conselho Nacional de Transporte (CNT).

A principal vantagem deste modal é a possibilidade de atuar em praticamente todo o Brasil. Em relação à distribuição de produtos, as transportadoras conseguem planejar seus roteiros, escolher tipos específicos de caminhões e fazer desde grandes entregas de matérias-primas para as indústrias até remédios em uma pequena cidade do interior do país.

Empresas registradas

Em relação às empresas que atuam no segmento, os dados de 2018 são:  

  • Transportadoras de cargas: 147.177 empresas
  • Empresas de locação de veículos: 11.482 empresas
  • Cooperativas de transporte de cargas: 332 cooperativas

Caminhoneiros autônomos

Uma particularidade do TRC (transporte rodoviário de cargas) é a alta presença de motoristas autônomos, diferente de outros modais de transporte. No Brasil, a estimativa da CNT é que existam mais de 490 mil caminhoneiros autônomos.

Estes profissionais oferecem serviços tanto para transportadoras quanto embarcadoras. A contratação dos autônomos deve seguir determinadas regras, como a emissão do CIOT, e cumprimento da Tabela de Frete da ANTT – criada após a greve dos caminhoneiros em maio de 2018. Para buscar motoristas terceiros, a melhor forma é utilizar uma plataforma online, como o Fretefy.

Dificuldades e desafios

Segundo informações da Revista da Madeira, em uma empresa, 60% dos custos logísticos são somente com operações de transporte, que comprometem até 3,5% do faturamento. Estes valores podem ser ainda maiores conforme o segmento. Uma indústria de papel e celulose, por exemplo, pode destinar até 7,1% do faturamento somente para pagar gastos com manutenção de caminhões, tributações, etc.

Mas, por que os custos logísticos são tão altos? Roubo de cargas, estradas precárias, manutenção dos veículos e alto custo do combustível estão entre os principais motivos. Muitas vezes, estas situações aparecem de forma unificada. Uma estrada precária, por exemplo, desgastará os pneus mais rapidamente, exigindo que eles sejam trocados antes do momento previsto. Ao mesmo tempo, os pneus desgastados podem exigir mais consumo de combustível.

Modal ferroviário

Vagões se locomovem diariamente pelas ferrovias brasileiras transportando milhares de toneladas dos mais diversos produtos, principalmente commodities. A principal vantagem é a capacidade para grandes quantidades de carga sem atrapalhar o trânsito e com baixa incidência de acidentes. O baixo custo também é outro diferencial.

Segundo dados da CNT, o Brasil possui 43 mil profissionais envolvidos com transporte ferroviário e 100 mil vagões utilizados para locomover as cargas. Minérios, grãos e fertilizantes são alguns dos produtos mais transportados através deste modal.

Especificações da modalidade

As ferrovias são fundamentais em um país que deseja potencializar o escoamento das suas cargas. Porém algumas características impedem que elas sejam utilizadas em todo o processo logístico, que envolve desde a coleta até a entrega para o consumidor final.

A baixa flexibilidade é uma das desvantagens do transporte ferroviário. Isso porque existem restrições de rede e diferença de bitola, impedindo que um trem consiga chegar a todas as regiões brasileiras. Muitos pontos produtivos, como granjas e fazendas, ficam distantes das ferrovias, o que também dificulta o transporte a partir do ponto inicial.

Modal aéreo

Helicópteros e aviões são as máquinas utilizadas para o transporte aéreo, seja de cargas ou pessoas. Em relação à distribuição de produtos, normalmente esta modalidade é usada para transportar mercadorias de alto valor, como remédios e joias, e itens perecíveis, incluindo flores e frutas.

O Anuário do Transporte 2018 da CNT afirma que o Brasil possui mais de 54 mil profissionais atuantes em empresas aéreas. Destes, 10 mil são auxiliares de voo. O número de aviões fabricados é expressivamente menor do que caminhões. Entre 2012 e 2016, o país fabricou 2.766 aeronaves. Somente no último ano, foram mais de 83 mil caminhões produzidos.

Por que o transporte aéreo é usado?

Transportar produtos rapidamente e entre grandes distâncias é a principal vantagem deste modal. O seguro também costuma ser mais baixo devido à baixa incidência de roubos e acidentes. Outra vantagem é a proximidade com os centros urbanos.

Porém, as aeronaves possuem limite de volume e peso, o que impede que grãos sejam transportados em aviões, por exemplo. O preço do frete também é excessivamente mais caro do que em ferrovias e rodovias. Desta forma, somente produtos de alto valor, muito frágeis ou com curtíssimo prazo de validade costumam utilizar este modal.

Modal aquaviário

O transporte aquaviário é conhecido também como transporte marítimo, aquático ou hidroviário. De forma geral, utiliza mar, rios, canais ou lagos para deslocar um produto. Atualmente, o Brasil conta com 37 portos organizados e 141 terminais de uso privativo. Segundo a CNT, em 2017, houve movimentação de mais de 1 trilhão de toneladas de produtos, incluindo embarcados e desembarcados.

Analisando os dados citados anteriormente, podemos afirmar que o transporte através de navios é um dos mais importantes e utilizados no Brasil. Porém, como todos os modais de transporte, possui suas vantagens e pontos negativos.

Vantagens do transporte marítimo

Nas estradas, por exemplo, a precariedade do asfalto, a existência de grandes buracos e a imprudência de alguns motoristas geram graves acidentes, colocando em risco a vida do motorista e a integridade das cargas. Já em alto mar, os produtos ficam mais seguros, além das chances de roubos serem consideravelmente menores do que nas rodovias.

O preço do frete entre diferentes países também costuma ser competitivo, principalmente para produtos com baixo custo, como petróleo, minerais e grãos. Estes mesmos produtos podem ser levados em grandes quantidades.

Desvantagens

Os navios não costumam ser usados para transporte entre estados brasileiros próximos devido ao prazo de entrega mais longo. A burocracia envolvida na documentação também prejudica e traz mais lentidão ao processo logístico. O seguro de carga costuma ser mais alto do que no transporte rodoviário, por exemplo.

Leia mais aqui: Seguro de carga é obrigatório para transportador e embarcador?

Modal dutoviário

Chamado também de modal tubular, este modal é responsável pelo transporte de gases e líquidos através de grandes distâncias e por meio de tubulações especiais. Entre os materiais transportados, destacam-se o petróleo, gás natural e diesel. Em relação aos demais modais de transporte, este é o mais seguro.

Existem três principais classificações no transporte dutoviário:

Gasodutos - transporta gases, como o gás natural e dióxido de carbono.

Oleodutos - a grande maioria dos produtos transportados são derivados de petróleo, como combustível, querosene e asfalto. Outros materiais, como álcool, também podem ser distribuídos através de oleoduto.

Minerodutos - diesel, querosene e cimento podem ser transportados através destes dutos.

Quais as características?

O transporte dutoviário é ideal para deslocamento dos materiais em grandes distâncias. O baixo custo operacional e o consumo de energia são alguns dos destaques. Também diminuem as chances de roubos ou perdas. Por outro lado, existe a possibilidade de acidentes ambientais em grande escala, assim como o investimento inicial para sua implantação é bastante elevado.

Integração entre Modais de Transporte

O Brasil é um país imenso, com uma área de mais de 8 milhões de km². Transportar produtos utilizando somente uma forma de transporte é inviável, especialmente quando os materiais são destinados para exportação. Esse cenário faz com que muitas vezes seja necessário unificar mais de um modal, prática que recebe nomenclaturas diferentes.

Transporte Unimodal

Utiliza-se apenas um meio de transporte para movimentar a carga. Na maioria dos casos, os caminhões são responsáveis, coletando o produto da indústria ou transportadora, e levando até uma loja ou consumidor final. Aqui, existe apenas um contrato de transporte.

Transporte Multimodal

Diferentes modais de transporte, como trens e navios, são utilizados no transporte de uma carga, porém somente uma empresa se encarrega de toda a operação. O Operador de Transporte Multimodal (OTM) é o responsável por garantir a eficiência das etapas e a integridade dos produtos distribuídos.

Vantagens

Ao contratar apenas uma empresa (OTM), o embarcador diminui as burocracias e o tempo gasto orçando várias transportadoras diferentes. Outra vantagem que é que, caso aconteça um incidente durante o trajeto, será mais fácil identificar os responsáveis para minimizar os prejuízos.

Transporte Intermodal

Assim como o formato multimodal, o transporte envolve mais de uma modalidade de transporte. Porém, diferentes empresas são responsáveis por cada trajeto e precisam emitir documentos de transporte individualmente. Cada transportadora possui a sua própria responsabilidade. Vale ressaltar que a acomodação das mercadorias não é modificada, mesmo que o modal seja diferente.

Para entender melhor, imagine a seguinte situação: um caminhão sob responsabilidade da transportadora Y recolhe uma carga e leva até o Porto de Paranaguá (PR). Chegando no local, descarrega os produtos e deixa sob responsabilidade da transportadora Z para que o restante do trajeto seja feito por navio.

Vantagens

A economia é a principal vantagem desta modalidade, pois se consegue negociar valores individualmente com as transportadoras a fim de reduzir os custos de cada trecho.

O que é o Operador de Transporte Multimodal (OTM)?

O OTM é uma figura importante no transporte multimodal. É uma empresa que se responsabiliza por todo o processo logístico da entrega de um produto. Mesmo que sejam utilizadas mais de uma transportadora, é ele quem faz a contratação e assegurar que os produtos serão entregues dentro do prazo estipulado e sem nenhum tipo de avaria.

A pessoa jurídica que assume esta função deve ser registrada previamente na Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT).

Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas (CTMC)

Emitido pelo OTM, este documento é exigido em uma operação de transporte multimodal e unifica todas as operações necessárias. O transporte de commodities, como soja e trigo, é o que mais utiliza a documentação.

Abaixo, você confere detalhes da Lei Nº 9.611, de 19 de fevereiro de 2018, que regulariza o contrato de transporte:

Art. 8º O Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas evidencia o contrato de transporte multimodal e rege toda a operação de transporte desde o recebimento da carga até a sua entrega no destino, podendo ser negociável ou não negociável, a critério do expedidor.

Art. 9º A emissão do Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas e o recebimento da carga pelo Operador de Transporte Multimodal dão eficácia ao contrato de transporte multimodal.

Plataforma online para modal rodoviário

Transportadoras que desejam aumentar seus lucros sem precisar comprar novos caminhões se beneficiarão com o Fretefy, uma plataforma inovadora para gestão de frota e cargas. Nele, as empresas podem organizar seus fretes e encontrar caminhoneiros autônomos e transportadoras terceiras para fazerem suas entregas. Tudo isso deforma 100% online e integrada.